quinta-feira, 17 de julho de 2008

DONNE DELLA LATINA AMERICA.

SURGIU COMO UM BATE PAPO, COMO UMA IDEA, BRINCADEIRA, MAS Tà FICANDO SERIO, TOMANDO NOVOS RUMOS....................

ESSE é O NOSSO GRUPO MULHERES DA AMERICA LATINA..............
POR QUE NòS SOMOS MAIS QUE "CALIENTES", MAIS DO QUE UM BELO CORPO....
SOMOS GUERREIRAS,TRABALHADEIRAS, INTELIGENTE, E ACIMA DE TUDO SABEMOS O QUE QUEREMOS...........

PORQUE SURGIU O GRUPO? POR QUE PRECISAVAMOS NOS UNIR, E LUTAR EM PROL DOS NOSSOS DIREITOS, PRECISAVAMOS NOS PROTEGER.


FOTO DA ESQUERDA PARA DIREITA: BRASILEIRA, MEXICANA, PARAGUAIA, VENEZUELANA, PERUVIANA, ITALO-BRASILIANA, BRASILEIRA...............

terça-feira, 8 de julho de 2008

AS APARENCIAS.....



Desde que o mundo é mundo acredito que as pessoas se preocupam com a imagem. Ser ou nao ser belo, eis a questao. E desde que o mundo é mundo surgiram diversos padroes de beleza, cada um a sua epoca.

Mas quando a preocupaçao com a imagem começa a interferir nas relaçoes interpessoais o que fazer? E quem determinou o padrao de beleza tido como o correto, o justo o que deve ser seguido por todos? Aquilo que me parece ser belo pode ser feio para voce e vice-versa.

Quando cheguei na italia resolvi procurar um emprego, e tentar consiliar com os estudos. Vi um anuncio em uma loja que dizia: "procuro vendedora para trabalhar meio periodo" entrei falei com uma funcionario ela me disse que teria que falar com uma outra pessoa, fui falar com essa outra pessoa e disse que estava interessada na vaga do anuncio, ela estava se olhando no espelho e ali continuou e me disse: " estou procurando uma estudante para trabalhar das 15:30 às 19:30" eu respondi sou estudante, ela se virou me olhou dos pés a cabeça e me disse: "mas voce està fazendo algum tipo de intercambio, logo vai embora, estou procurando alguém para fazer um contrato de 4 anos." nunca na minha vida tinha escultado uma desculpa tao esfarrapada, como era primavera ela estava procurando alguém somente para alta estaçao e nao ia fazer nehum contrato de 4 anos. Resolvi contar essa història a um colega italiano ele me disse: "é por que para trabalhar em um bar ou em uma loja precisa ter boa aparencia eles nao querem ninguém que espante os clientes". Me senti um monstro nessa hora, serà que sou tao feia? o que é ter boa aparencia? é ter olhos claros, cabelos lisos, ser magro?

Que sociedade é essa onde as pessoas valem aquilo que parecem ser, onde as mulheres nao jogam o lixo foro sem maquiagem, onde as garotas de 13 anos para irem a escola precisam usar blush,rimel, sombra, gloss. Onde nao se pode comprar um sorvete sem os oculos D&G, a bolsa Prada ou o vestido Dior e os homens que passam horas fazendo bronzeamento artificial.
Se continuarmos com esses passos corremos o risco de morrer como Narciso.

DESCULPEM OS ERROS, OS COMPUTADORES ITALIANOS NAO TEM CONFIGUARAçAO PARA O PORTUGUES.

BACIONE............................

quarta-feira, 11 de junho de 2008

IDENTIDADE...........

Resolvi escrever algo sobre esse tema por que nesse intercambio de quatro messes na italia, surgiram-me algumas inquietaçoes e curiosidades sobre a minha geraçao. Geraçao sobre o qual nao se aprende nas escolas e que nao aparece nos livros de historia, geraçao que era considerada inferior por que era diferente, que nao tinha alma, que nao era gente, geraçao que jà morava ali, outros que foram forçados a ir, outros que sabiam onde queriam chegar. é assim que surge o brasileiro, do indio desapropiado, do negro escravisado e do portugues que procurando a India desembarcou no Brasil.
Um certo dia ao sair da universidade um rapaz começa a gritar: AFRICA, AFRICA, AFRICA. Continuei caminhando até o momento que me dei conta que era comigo, ele me perguntou de onde eu era, respondi Brasil, vi a decepçao em seus olhos, ele estava convicto que eu era africana. Eis que surge a questao: Nao sou africana, mas sou afro-descendente. Qual é a historia do meu povo? quem sao meus herois? quem eram meus avos? por que minha familia nao tem brasao? qual a lingua que falamos? Como se constroe a identidade do povo brasileiro? resolvi ir na fonte que conta a historia do brasil na otica do povo, escrito pelo povo para o povo( foi a unica que eu li nesses meus 20 longos anos de vida): Viva o Povo Brasileiro de Joao Ubaldo Ribeiro, o livro conta historias do negro no brasil a partir da sua visao de mundo, das vozes que foram caladas durante muitos anos, da visao eurocentrica que se ensinam nas escolas e da historia com H maiusculo que sempre foram tidas como verdadeiras.Segundo joao Ubaldo o Brasil é formado do Indio que come carne holandesa, dos negros escravos que nao eram considerados como fazendo parte da populaçao brasileira e dos "europeus transplantados" aqueles que sao brancos brasileiros, mas nao se sentem brasileiros por que tudo da europa é melhor. Um dos personagens centrais: Maria da fé, mulher, negra, filha de escrava com senhor branco que nunca soube da sua existencia, criada por um negro aculturado que possuia um capital cultural (muito raro naquela epoca) que sabia como se dar bem com a elite, mas fazia parte do povinho, que sobrevivia do que nòs chamamos hoje de "jeitinho brasileiro".
"Disseste bem, disseste muito bem: nós somos o povo desta terra, o povinho. É o que nós somos, o povinho. Então te lembra disto, bota isto bem dentro da cabeça: nós somos o povinho! E povinho não é nada, povinho não é coisa nenhuma, me diz onde é que tu já viu povo ter importância? Ainda mais preto? Olha a realidade, veja a realidade! Esta terra é dos donos, dos senhores, dos ricos, dos poderosos, e o que a gente tem de fazer é se dar bem com eles, é tirar proveito do que puder, é se torcer para lá e para cá, é trabalhar e ser sabido, é compreender que certas coisas que não parecem trabalho são trabalho, essa é que é a vida do pobre minha filha, não se iluda. E, com sorte e muito trabalho, a pessoa sobe na vida, melhora um pouco de situação, mas povo é povo, senhor é senhor! Senhor é povo? Vai perguntar a um se ele é povo! Se fosse povo, não era senhor". (VPB, p. 373)
Acredito que chegamos ao ponto de nao precisar mais assimilar a cultura do colonizador para sobreviver,buscamos o conhecimento e a valorizaçao da nossa historia, dos costumes, religiao. O personagem Maria da fè foi um exemplo de resistencia a cultura europeia"(...) Quem é que trabalha? nao é o povo? nao é o povo que sustenta?entao é o povo que vai mandar" (VPB,P. 373).
P.S. desculpem os erros ortograficos, mas os computadores da italia nao tem configuraçao para a lingua portuguesa...
beijos....

sexta-feira, 30 de maio de 2008

HOSTIS ( diario de bordo)

Resolvi escrever alguma coisa sobre minha realidade actual, conflitos diários no meu intercambio aqui na Itália, onde estou dois messes e devo permanecer por mais dois.
Antes de sair do Brasil muitos sonhos(ahahahh estou indo estudar fora), deslumbramentos, planos, que desmoronaram ao desembarcar, simplesmente pelo fato de possuir um pouco de mela nina a mais que os italianos, sou vista como o inimigo, a ameaça.
Descobrir que ser brasileira podem me trazer algumas vantagens(claro quando as pessoas sabem que eu sou) por que ser afro-descendente não. Ser brasileira na Itália è futebol, samba, praias, mulheres bonitas e Rio De Janeiro. Ser afro-descendente na região de Veneto é ser um africano ilegal, traficante, ladrão, extra-comunitário, mas que os italianos precisam para limpar o chão.
Ontem a caminho da universidade parei no semáforo, o sinal era vermelho ao meu lado uma jovem que parecia ter a mesma idade que a minha, inclinei minha mão para pedir passagem para pedestre, ela segurou a bolsa com toda força que pode, talvez esteja escrito na minha testa"fuja é uma ladra, negros são perigosos" quando o sinal ficou verde ela andou na frente com muita pressa não sabendo ela que eu iria para o mesmo local, concerteza isso não passou pela sua cabeça por que na minha classe tem 150 alunos e eu sou a única negra, me sinto a Deusa de ébano com todos os olhares na minha direçao.
Em todo o mundo existem preconceitos de todos os tipos, mas nunca me senti fora da raça humana, um ser extra-comunitário. O Brasil tem 120 anos da assinatura da lei áurea, mas os opressores ainda não libertaram os oprimidos, e talvez nunca façam isso, ser opressor è cómodo,é bom. Segundo Paulo Freire " os oprimidos deixarão de serem oprimidos quando retirarem os opressores que existem dentro deles".

Tudo na vida são questões de valores, os meus são diferentes dos seus, vale a pena um respeito mutuo. As vezes acho que o lugar da Itália é continuar nos livros de historia. Me pergunto de que vale a pena ser europeu, fazer parte do G7 e ver as pessoas como inimigos? Nos países de terceiro mundo existem mais respeito para com o próximo.